entrecor

dois poemas de gustavo rosa

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no meu prédio

no meu prédio há quase 124 janelas

mas só a minha permanece fechada
nos finais de semana

nos finais de semana
eu vou onde vou morrer

– quero aproveitar enquanto posso

olhar os olhos tristes da minha mãe;
beijar meu irmão –
como beijava quando criança

no meu meu prédio
há muitos bancos
e ninguém senta.

§

(estou há 20 metros do meu vizinho mais próximo)

ele não sabe que eu existo há 20 anos
ele não sabe que a China e o oriente se aproximam
ele não sabe que o socialismo deu certo
ele não sabe que choveu na terça-feira passada
ele não sabe que, ao lado, da sua janela, transam
e gemem e gozam ele não sabe.
ele não sabe dos movimentos involuntários da língua
ele não sabe da guerra do fogo
ele não sabe que a internet encurta as mesmas distâncias
ele não sabe de chomsky pinker e que a palavra
sofre de inanição ele não sabe.
ele não sabe que o verso é tonal, às vezes
ele não sabe que nescau de mais faz mal
ele não sabe mas ironia de mais faz mal
ele não sabe mas a cidade está no homem
da mesma maneira que não está si mesma ele não sabe
ele não sabe mas gelatina de uva é um alimento poético
ele não sabe mas o que o verso tem é fome
e não um problema ele não sabe
ele não sabe mas a infância não reside mais no 92
ele não sabe mas inventaram a infância
ele não sabe que o muro esteve de pé e o concreto usado
foi manobra de massa ele não sabe
ele não sabe da praticidade do concreto e de sua poesia
ele não sabe que Queóps é deus
ele não sabe mas o amor de deus é válido
ele não sabe que acima do céu há só as coordenadas
ele não sabe mas o céu não existe
ele não sabe mas pra sonhar aconselharia dormir
ele não sabe mas Shakespeare foi tão fundo que findou
ele não sabe mas Shakespeare foi tão fundo que furou
ele não sabe mas ontem tinha livros na parada de ônibus
ele não sabe mas os livros já foram roubados
ele não sabe do amor do Vinicius pelos olhos dela
ele não sabe dela, nem dela, nem dela, nem…
ele não sabe do meu amor pelos olhos dela
ele não sabe mas para um amor fundamental aconselharia Itapuã
ele não sabe onde fica Itapuã
ele não sabe mas já pensei em me mudar pra Itapuã
ele não sabe mas se eu (levasse a poesia a sério) teria me mudado pra Itapuã
ele não sabe que eu estou repetindo pela quinta vez a palavra Itapuã
ele não sabe mas minha psicóloga me aconselhou um cachorro
ele não sabe mas poderíamos ter um gato
ele não sabe mas um dia eu tive uma galinha
ele não sabe mas romper os ligamentos do joelho dói
muito e pode acabar com uma carreira
ele não sabe mas a poesia levou o futuro grande atleta
ele não sabe que ontem foi domingo
ele não sabe que a foto do Nietzsche vende livro
ele não sabe mas o olhar do Kafka parecia o do meu avô
ele não sabe mas não conheci a minha avó
ele não sabe que a árvore genealógica só serve pra dizer que um dia estaremosdentro dela ele não sabe
ele não sabe mas eu só fumo quando bebo
ele não sabe que verso bom é verso torto
ele não sabe que o verbo não faz falta na hora do almoço
ele não sabe que cavalo mesmo não existia no Rio Grande
ele não sabe mas o Comte gostava mesmo era de mulher
ele não sabe mas Descartes teve um sonho e criou o método
ele não sabe mas o método é um sonho
ele não sabe mas a anemia da sintaxe prática do verso é questão
de base e de educação e de polícia ele não sabe
ele não sabe mas Tom Jobim também pagava aluguel
ele não sabe das últimas da Era do Gelo
ele não sabe das implicações dos quasares suíços ele não sabe
ele não sabe mas pra ele o sol na pedra é eterno
ele não sabe mas a pedra ensina, e que a poesia basta.

Gustavo Rosa é poeta, doidão e curte um trago no Rossi. Às vezes some sem dar sinal. Agora, por exemplo, deve estar na Irlanda.

dos diálogos russos

– Cara, pára de olhar pra ela. Nem é tudo isso.

– Capaz, meu, olha aquilo ali. É a perfeição.

– Aposto que ela nunca leu Dostoiévski.

– O quê?

– Sei lá, meu, ela não tem cara de quem lê.

– Claro que tem, meu. Ela fuma.

– E daí?

– E daí que todo mundo que fuma não é muito feliz.

– Sim?

– Por isso ela deve ler. Deve ler mais que nós.

– Duvido.

– Mesmo assim ela é linda.

– Um pouco, mas já vi melhores.

– Melhores?

– Cara, pára de olhar, o pessoal das outras mesas tão notando.

– Foda-se, meu.

– Por que não vai falar com ela?

– Vou dizer o quê?

– Ué, pergunta se ela já leu Dostoiévski.

– Eu não vou chegar dizendo isso.

– Por que não?

– Ela vai chamar os seguranças.

– Só vai chamar se não souber quem é Dostoiévski.

– Pensando bem, acho que ela não deve ter lido.

– Mas ela não fuma?

– Mesmo assim… tem um quê no olhar que tá me dizendo.

– Hm.

– Acho que ela lê Paulo Coelho.

– Não, isso não.

– O que tu acha?

– Acho que… sei lá, aqueles tipo Código da Vinci?

– Acho que é por aí.

– Vai lá pedir pra ela.

– Vai tu, meu.

– Eu vou.

.:.

– Oi, tudo bem?

– Oi?

– Oi. Eu queria te fazer.

– A gente se conhece?

– Sim. Não. A gente não se conhece. Preciso saber de uma coisa.

– Não quero comprar nada.

– Não é isso.

– O quê, então?

– Eu queria saber se tu já leu… ou lê… Dostoiévski?

– Leio o quê?

– Dostoiévski.

– SEGURANÇA!!!

– Calma, moça, calma.

– SEGURANÇA!!!

– Moça, eu só queria saber. Eu só queria saber.

– SOCORRO!

– Esquece, tá bom!? Eu vou voltar. Calmamente. Para minha mesa.

.:.

– Cara, ela não lê.

– Percebi.

– Ela é louca, meu.

– Gostei do jeito como ela grita.

– Tu tá até louco, meu.

– Acho que eu amo ela.

– Senhores?

– Sim?

– Ã?

– A senhora da outra mesa pediu para eu revistar vocês, se não se importam.

– Como?

– O quê?

– Está dizendo que vocês, vou falar mais baixo, que vocês são agentes infiltrados russos. Rastaiévskis.

– Russos?

– É Dostoiévski, cara.

– Do o quê?

– Dostoiévski. Dostoiévski. Era um escritor.

– Russo, eu sei. Já li Irmãos Karamázov.

– O quê, o senhor… leu?

– Um segurança tem muito tempo pra ler.

– Mas o senhor leu… mesmo?

– Brinco de Aliócha com meu filho.

– De Aliócha?

– É. Eu sou o stariéts e ele o discípulo.

– Que massa, cara.

– Agora, se vocês não se importarem, vou revistá-los.

A droga

– Isso aí é droga?

– É, sim, senhor

– Então tu vai junto.

– O quê? Não é droga. Quer dizer, é droga de ruim e não de narcótico.

– De o quê?

– Cara, são só folhas, não tá vendo. Não é droga. Só a poesia…

– A o quê?

– Poesia, cara, não conhece Shakespeare?

– Cara é o caralho, pra ti é senhor. E tu vai junto. Já ouvi sobre o Shakespeare. É aquela mistura de nembutal.

– De o quê?

­– É droga, meu irmão. É droga e tu tá no meio.

– Cara, digo, senhor, olhe. São folhas. São só folhas.

– Então me dê.

– O quê?, não posso. São originais.

– Eu sabia que o esquema era novo. Então achamos o pioneiro.

– Cara, tu não tá me entendendo.

– Senhor, porra.

– Senhor, são poesias, quer que eu te leia?

– É droga e eu não vou usar. Tu vai comigo.

– Vou preso?

– Vamos pra delegacia.

– Mas não posso, preciso entregar isso aqui prum editor.

– É o quê? Tem outro traficante na parada?

­– Não, cara, senhor, são livros. Isso aqui dá um livro. Editores editam livros. Escritores escrevem livros. Existem livros de poesia, de contos e romances e novelas, sabe as novelas, você sabe, cara.

– Senhor.

– O senhor sabe.

– Me dê isso aí.

– Não posso, cara, estou atrasado já.

– Senhor.

– Senhor.

– Então vamos para delegacia. Tu me confessou que era droga. Agora vamos. Ei, comandante!, esse aqui vai junto. Tem uma tal de poesia, um Shakespeare junto, é aquele com nembutal.

– Esse é dos bons – disse o comandante – esse vai apodrecer na cadeia. Já tô vendo até manchete de jornal. Poesia apreendia em operação. Policiais ganham medalhas de mérito. Passeiam em carro dos bombeiros. São louvados.

– É verdade, este malandro é o precursor, o pioneiro, o primeiro, nossa quantas palavras eu sei, poderia escrever um livro.

– Livros são uma droga. – disse o comandante – perda de tempo

dos diálogos editoriais

– Alô, Rafael?

– Sim.

– Oi, Rafael, aqui é da Editora.

– Qual editora?

– A Editora.

– Hm.

– Rafael, quantos anos você tem?

– Vinte.

– O quê!?, nós pensávamos que você tinha sessenta, por aí.

– Sim, meus amigos dizem a mesma coisa.

– Tudo bem. Até porque nem combina. Rafael. Rafael com velho.

– É. Tinha o pintor.

– O quê?

– Nada, esquece.

– OK. Tudo bem. Queremos te publicar.

– Hm. A Editora. Publicar o quê?

– Poemas, a gente reuniu os melhores.

– Poemas. Hm. Eu os escrevo só de brincadeira.

– Por isso. É bom por isso.

– Hm. Mas nunca ouvi falar dessa A Editora.

– Dê um google. A gente já publicou muita coisa.

– Vou ver.

– Estamos te enviando por e-mail o pdf do livro.

– Mas já está pronto?

– Já. Não vai ser digital. Mas vamos te mostrar assim. Se tudo der certo, semana que vem vai pras livrarias.

– Mas eu nem disse nada.

– Eu sei. Tem de dizer agora.

– Preciso pensar, nem sei daonde vocês são.

– São Paulo.

– Vou ver como ficou o pdf.

– Veja, vamos entrar em contato mais tarde. Aliás, preciso do teu cpf pra passagem pra Sampa. O lançamento vai ser na Livraria. Mais de 120 pessoas confirmaram presença.

– Qual livraria?

– A Livraria.

– Eu nem conheço cento e vinte pessoas.

–  Em São Paulo é assim. Tipo um formigueiro.

–  Estou vendo aqui. O pdf ficou bom. As artes. Está tudo bem feito. Mas as poesias são ruins, não sei se as pessoas vão gostar.

– Dois doutores em literatura brasileira e um crítico literário fizeram a escolha. Estes são os melhores. Acredite, as pessoas vão gostar.

– Quem é esse cara que escreveu a introdução?

– O Escritor.

– Qual?

– O.

– Quê?

– O Escritor.

– Acho que entendi a de vocês.

– Eu vou lançar O Livro, pela A Editora, na A Livraria, com Os Críticos e Os Intelectuais e Os Caras e.

– Sim, é quase isso.

– Mas com quem eu estou falando?

– A Secretária.

– Ó, céus.

– E por qual companhia eu vou voar? A Companhia?

– Não gostamos da Companhia. Você vai pela GOL.

dos diálogos paternos

– Pai.
– O quê?
– Estou pensando em largar a faculdade.
– O quê?
– Estou pensando.
– Como assim?
– Não sei, pai. Tu sabe…
– Tu já tá no meio do curso.
– Eu sei, pai, mas não sei.
– Não sabe o quê?
– Se quero isso.
– Isso o quê?
– Trabalhar com isso.
– Como assim?
– Tu vê, meus exemplos sólidos. Eles não tinham carreiras definidas.
– Quê?
– Olha o Laerte. O Laerte não cursou jornalismo, pai.
– Mas o que tem a ver?
– O Laerte é vanguardista. Gênio.
– Eu sei.
– Então, pai.
– Mas é o Laerte.
– Por isso.
– É o Laerte.
– Eu sei, pai.
– O Laerte é gênio.
– Então, pai. Os gênios.
– O Laerte é gênio.
– Os gênios não são compreendidos.
– Tu não é gênio.
– O quê?
– Tu não é gênio.
– Sou incompreendido, pai.
– O Laerte é gênio.
– Eu sei, pai.
– Por que vai largar, agora?
– Por que não sei, pai…
– Mas, agora?
– Sim, pai, melhor agora…
– Mas vai fazer o quê?
– Não sei, tentar freelance. Organizar um portfólio.
– Que portfólio?
– Não sei, pai.
– Tu não faz nada.
– Vou fazer um portfólio de artes visuais.
– Tu nem sabe o que são artes visuais.
– Vou fazer um portfólio de ilustrações.
– Mas tu nem sabe desenhar.
– Vou fazer um portfólio de poesia, pai.
– Mas nem tem como fazer um portfólio de poesia.
– Vou dar um jeito.
– Não inventa.
– Vou fazer um portfólio de artes em 3D.
– Artes em 3D?
– É.
– Bacana.
– Vou fazer isso.
– Como?
– Ah, tu sabe como. Desenhar no papel, scanear, pegar no illustrator e passar o photoshop fazer uns traque-traque e lançar no facebook depois instagram e o filtro depois um pouco de tumblr.
– Traque-traque?
– Sim.
– Já ouvi falar disso. Acho que está popularizando.
– Sim. É o futuro, pai. Traque-traque.
– Gostei.
– Vou largar tudo pra me dedicar a isso, pai.
– Entendo…
– Tu me sustenta?
– Quanto tempo?
– Dois meses?
– Um mês.
– Dois meses, pai.
– Um mês e meio.
– Dois meses, pai.
– Um mês e vinte dias.
– Dois meses, pai.
– Um mês e vinte e cinco.
– Tudo bem, pai.
– Traque-traque, então.
– Sim, pai, isso em que vou trabalhar.
– Vou pôr fé.
– Pode pôr.
– Um mês e olhe lá.
– E vinte cinco.
– Vou apostar na tua genialidade.
– Pode apostar, pai.
– Traque-traque.
– Vou trabalhar nisso, pai.

dos diálogos boêmios

– O cara sai da minha vida mas não sai do topo do chat no Facebook.
– O quê?
– É sério. Olha aqui. Até no celular ele tá.
– Não tem como bloquear?
– Eu não sei. Ia excluir. Mas é muita criancice.
– Ah, amiga, em alguma hora sai.
– Mas fico me lembrando, remoendo.
– Por quê?, acabou, não acabou?
– Acabou, mas é quê.
– Fala.
– Dá uma falta, sabe. Ver a foto.
– Sei.
– E pensar que ele esteja com outra.
– Não pense assim…
– Mas deve estar.
– Desliga esse celular, vamos beber.
– Beber me faz querer ligar pra ele.
– Então vamos comprar umas roupas.
– Roupas?, pra quê, se não ele não vai me olhar com elas.
– Quem sabe.
– Não vou fazer ciúmes.
– Então vamos dar uma volta de carro.
– Eu nunca soube dirigir muito bem, era ele quem dirigia meu carro.
– Eu dirijo.
– Mas no meu carro tem o cheiro dele.
– Vamos no meu.
– Mas o teu tem teto solar.
– E daí?
– E daí que vou ver a lua e lembrar quando a gente ia…
– Chega!
– Hã?
– Se tu for cagar vai se lembrar dele quando vir a merda?
– Não tinha pensado desta forma…
– O único jeito de esquecê-lo é levar porrada até ficar com amnésia.
– Não sei se isso daria certo.
– Vamos tentar.
– Não, espera.
– O que foi?
– Vamos beber.

 

zut zut

a rubem fonseca

estou de pé. luto contra a gravidade. com o dorso me apoio na parede para não cair. me concentro em respirar bem, com calma. a luz que incide nas pessoas as deixa acetinadas. superexpostas. talvez eu esteja suando.

não estou suando. ouço vozes próximas de mim, mas eu estou distante, não escuto nada, nada, nada. seria motivo para eu me preocupar?, talvez sim. tenho três colegas que me indicaram o mesmo psiquiatra.

eu vou viver a vida toda assim?, ou será que em algum determinado momento os sussurros de dentro de mim cessam?, ou viram gritos?

alô, alô. eu não acredito no senhor. cuidado com o niilismo, menino. apegue-se em algo. deixe de lado essa carapuça de parecer forte. no fundo todos somos entranhas fétidas. sacos de merda. vulneráveis a qualquer mijada vulgar. tudo machuca.

estou suando. água. água é deus. vou acreditar na água. somente na água. não falem comigo agora. agora não. não falem comigo. não me encostem. por favor não se atritem em mim. não me mandem fazer nada. me deixem em paz. para sempre em paz. paz paz paz paz.

os meus joelhos estão moles, batatas na água fervente. alô, alô. quando eu chegar em casa só quero morrer. eu não vou vir trabalhar amanhã. não vou, não vou. vou ligar e dizer que comi camarão. estou vomitando até o que eu nem sabia que tinha comido. estou morrendo. alô, é o rafael, tudo bem? ããã… eu andei comendo algo estragado. acho que foi o camarão. estou passando meio mal. tem problema se eu não for hoje? estou passando meio.

uma vida de férias seria suficiente. preciso trocar a luz do banheiro. e lavar a louça. putz. a louça. acho que estou suando.

não me venham com conversinhas. não. piadas não. por que vocês gritam tanto? por que vocês comemoram? alô, é o rafael, vou começar assim. ou posso fingir um vômito. alô, vou improvisar na hora. não sou bom em improvisos. zut zut. por quê.

– rafael?
– ã?
– tudo bem?
– ã.
– tu tá bem? tá suando.
– tô.
– tu tá vermelho. tá com febre.
– sim. acho que sim.
– por que tá colado na parede?
– vou morrer.
– como morrer?
– vou morrer agora.
– se senta aqui. vou pegar água.
– não. é o estômago.
– o que foi?
– comi camarão. acho que não desceu bem.
– ah, sim. tem que ser cuidadoso quando se come camarão.
– sim. eu não sou cuidadoso. posso ir para casa hoje?
– pode. claro.
– e a matéria?
– deixa. eu termino.
– mas tu tem muita coisa pra fazer.
– tudo bem. tranquilo.
– eu posso… mesmo?
– pode. tu não está bem.
– depressão é doença?
– é, também. mas não era estômago?
– se eu provar que estou com depressão posso ficar encostado?
– sim… todos podem.
– e recebendo…?
– sim.
– eu vou para casa.
– tudo bem.
– como era mesmo o nome do psiquiatra que tu me disse uma vez?